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Confetes, serpentinas e marcas

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Já se sabe que o Carnaval é um negócio altamente lucrativo para o setor turístico no Brasil. Segundo levantamento do Ministério do Turismo, neste ano cerca de 6,8 milhões de turistas devem circular pelo país de 13 a 18 de fevereiro, gerando um acréscimo de R$ 6,6 bilhões à economia nacional – contra 6,6 milhões de turistas gastando em torno de R$ 6,1 bilhões em 2014.

Além dos tradicionais desfiles das escolas de samba, o Carnaval de rua cresce a cada ano, inclusive em cidades antes pouco procuradas como destino para a folia, como São Paulo. Desde 2013, quando um grande movimento dos blocos – Manifesto Carnavalista – levantou o debate sobre a necessidade de reconhecimento dessa manifestação cultural e popular, a cidade viveu um crescimento visível de sua festa nas ruas.

A partir de um diálogo intenso com representantes de blocos e cordões, a Secretaria Municipal de Cultura liberou a realização da festa – que até 2012 era proibida legalmente – e deu início a um processo de organização, com cadastramento dos blocos e disponibilização de estrutura e segurança. Neste ano foram 300 blocos cadastrados – em 2014 foram 200; em 2013, 60 – e estima-se um público de cerca de dois milhões de pessoas.

Serão 900 banheiros químicos – utilizados em 6.000 diárias durante a festa -, 21 postos médicos e 83 diárias de ambulância de remoção e de UTI; 2.400 agentes de limpeza, 900 agentes de trânsito, 600 guardas civis. A infraestrutura contará com investimento de R$ 4 milhões da Prefeitura, sendo R$ 500 mil patrocinados pela Caixa Econômica Federal.

De acordo com dados da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), em 2014 foram mais de cinco milhões de foliões nas ruas, dos quais 918 mil eram turistas. A previsão para este ano é de 977 mil, em 600 desfiles de 455 blocos. Por isso, a prefeitura resolveu colocar mais banheiros químicos nas ruas: serão 24.525 espalhados pela cidade, quase três mil a mais que no ano passado, um aumento de cerca de 13%, entre contêineres, mictórios e cabines individuais.

Há seis anos à frente da produção do Carnaval de Rua do Rio de Janeiro, em 2015 a Dream Factory ganhou também a concorrência para cuidar da estrutura em São Paulo. Eles não divulgam o valor envolvido, mas segundo o diretor da empresa, Duda Magalhães, é “a maior logística de banheiros químicos do mundo”. “Importamos um modelo de mictório que atende um fluxo maior de usuário; implementamos o credenciamento online dos promotores de venda de bebidas que passaram a ser identificados com credencial com nome e foto. Tudo isso garante um evento mais organizado”, afirma.

Especializada em live marketing, a Dream Factory também atua na Maratona do Rio, no festival Sónar e no TED Global Rio, entre outros projetos e consultorias. “Para o Carnaval de rua, nosso desafio é conseguir acompanhar o crescimento do evento, de público e número de blocos a cada ano, e preservar a integridade da cidade e da população”, diz Magalhães.

Tradição x organização – Há quem entenda que a organização vira burocracia e tira o caráter livre das festas de rua. E há quem considere que ainda falta muito a se fazer com relação à segurança e organização do trânsito, por exemplo. Para José Augusto Vieira, cofundador do bloco paulistano Bastardo, e que participou ativamente das reuniões do Manifesto Carnavalista, o principal avanço nos últimos anos em São Paulo foi obter o reconhecimento público de que o Carnaval de rua é uma manifestação cultural da cidade. “É certo que, com isso, a prefeitura passou a considerar a manifestação, incluindo-a na política pública da cidade, e está se organizando para prestar os serviços públicos necessários para a realização da festa.”

Mas ele considera precipitado fazer uma análise do que ainda é necessário, já que, na prática, este é o primeiro em que a prefeitura realmente se envolve na organização e prestação de serviços públicos para o evento. “No ano passado tivemos alguma intervenção, mas ainda incipiente. Este ano vimos iniciativas como a realização de um novo seminário – embora os blocos não tenham sido convidados a colaborar na organização -, a descentralização da atuação para as subprefeituras, o lançamento de uma chamada pública para patrocínio master, visando a viabilização da infraestrutura necessária”, enumera.

carnaval
Para Renato Dias e Lígia Fernandes, criadores do Kolombolo Diá Piratininga, a principal mudança é que hoje não há mais medo de ocupar a rua e divulgar o evento, pois sabe-se que não haverá multa ou polícia barrando a festa. “Essas eram coisas que antes nos assombravam. Porém, essa conquista também significou uma mudança radical no tipo de Carnaval de rua que encontramos na cidade. Vemos isso com a voracidade dos patrocínios e a diminuição do carnaval de samba e das tradicionais marchinhas, que cada vez mais perdem espaço para modismos e produções imediatistas”, apontam.

Dos nove desfiles já feitos pelo Kolombolo, três tiveram patrocínio – 2012, 2013 e 2014 -, com contrapartidas que consideraram simples: aplicação de logomarca nas peças de divulgação, como flyers, cartazes, site e teaser no YouTube. Para este ano, receberam duas propostas de cervejarias, mas não aceitaram as condições: criar uma ala vip com abadá, ter uma passista e um estandarte com a logomarca da cerveja e um carro ativando a marca e vendendo a bebida no meio do desfile. “Isso tudo reforça a questão de que o envolvimento de marcas e empresas pode, sim, descaracterizar o carnaval e a festa popular, se não impusermos as regras”, defendem. “O que mais queremos é não depender de patrocínio para realizar o nosso carnaval.”

Vieira lembra que, até pouco tempo atrás, os blocos contavam com o apoio do comércio local e da contribuição dos seus integrantes, o que fortalecia o vínculo com a comunidade. Nesse sentido, uma ação que aparentemente ajuda a manter essa relação é o financiamento coletivo.

Público ou privado? – O bloco carioca Fogo & Paixão saiu pela primeira vez em 2011 totalmente bancado pelos próprios integrantes. No ano seguinte, lançou uma campanha de crowdfunding que recebeu apoio de 155 pessoas e pouco mais de R$ 10 mil em recursos (R$ 1 mil além da meta). Mas para melhorar a estrutura de som, todo ano o custo aumenta, e em cinco anos já cresceu nove vezes.

“Quanto mais nosso público aumenta, maior a estrutura necessária. No início, tínhamos um caminhão pequeno, não tínhamos técnico de som, não tínhamos metais, ensaiávamos no estúdio de um condomínio. Hoje em dia, tudo mudou, somos 100 batuqueiros, temos que ensaiar em locais maiores e caros, temos técnico de som, metais, um caminhão robusto e uma estrutura extra (PA) de som para que tudo saia perto do que desejamos”, explica Alexandre Morand, presidente do bloco.

Além disso, os valores dos fornecedores também aumentaram e, apesar do reconhecimento do público, ainda é difícil conseguir patrocínio. “Ainda são poucas empresas dispostas a investir no carnaval de rua do Rio”, diz. Hoje a equação é: parte financiada por integrantes que pagam uma cota pequena para ajudar + apoio + patrocínio. E para este ano, além disso, ainda fizeram alguns shows e casamentos para ajudar a arrecadar recursos.

Fazer esse tipo de evento ao longo do ano é uma saída encontrada por muitos blocos para garantir fonte de receita que possibilite cobrir os custos do período de Carnaval, confirma o professor do curso de Administração da ESPM-Rio e especialista em marketing de carnaval, Marcelo Guedes. Isso e o financiamento coletivo fazem com que se mantenha o caráter informal, popular e independente dos blocos. Mas muitas vezes, diz ele, o apoio que as grandes empresas proporcionam pode ajudar a fazer uma festa ainda melhor. “Ter uma estrutura bacana, banheiro químico, som de qualidade, requer dinheiro. Se vem de patrocínio, qual o problema?”, questiona, fazendo um alerta do ponto de vista do patrocinador: assim como qualquer outro projeto cultural, o bloco precisa ter relação com a marca.

Luiz Carlos Prestes Filho, especialista em Economia da Cultura e autor do livro Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval (2006/2009), remete à ainda recente democracia brasileira para defender que não há certo ou errado em aceitar ou não apoio financeiro. “Não existe contradição. Para isso conquistamos a liberdade! Cada bloco ou banda define ‘com que roupa’ vai para o samba. Pode ser com uma camiseta abarrotada de logomarcas ou somente com as cores da agremiação.”

Ele lembra que no mercado sempre haverá empresas mais ou menos agressivas e, na sociedade, sempre haverá comunidades mais materialistas e outras mais voltadas para a espiritualidade. E questiona: “É possível definir exatamente o que é Carnaval de rua?”.

Para ele, essa é uma tarefa impossível. “Neste evento popular tudo vem junto e misturado. Claro que dos 900 mil turistas que vieram ao Rio de Janeiro em 2014, somente 193 mil compraram ingressos para poder entrar na Passarela do Samba. Claro que a maioria dos foliões estava fora dos espaços fechados. Mas tudo está interligado. Devemos buscar entender toda essa rede de interesses sociais e econômicos para obter uma resposta inteligente sobre o apoio – ou não apoio – empresarial para a folia”, afirma.

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Prestes Filho acredita que, por vivermos em um país onde a economia de mercado define as prioridades da população e dos governos, se a iniciativa privada investe em propaganda nos meios de comunicação, faz sentido reconhecer o Carnaval como uma boa vitrine de comercialização. “O Carnaval, ao se abrir para as grandes empresas, deve estabelecer um padrão que valorize a raiz cultural brasileira. Dessa maneira, entendo que produtos, serviços e marcas podem sim contribuir para o fortalecimento deste evento que é o maior do mundo.”

Fonte: Mônica Herculano – http://www.culturaemercado.com.br/

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Publicado às 10/02/2015 por em Cultura, Dança, Música e marcado , , .

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